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Telhadela SA – Os refregos PDF Imprimir e-mail
Escrito por Beira Vouga   
01-Abr-2008

Venho notando ao longo dos anos que os cronistas mais relevantes da nossa praça têm um gosto especial por pontos prévios e notas de rodapé. Eu, imitando esses modelos, vou também apresentar um ponto prévio e uma nota de rodapé. E o meu ponto prévio é bastante simples: gosto da palavra refrego. Não sei porquê, mas acho-lhe um jeito engraçado. E uso a palavra refrego sempre que tenho oportunidade. E não é nada fácil usar a palavra refrego.

Se pensarem bem, a que perguntas é que respondemos refrego? Na realidade respondemos refrego a muito poucas perguntas. E é pena. Agora que esclareci este ponto prévio, vou seguir para o verdadeiro objecto desta crónica. Telhadela é como uma bela mulher. Tem muitas e belas curvas. E tal como nas mulheres, a quantidade e curvatura dessas curvas é um factor de valorização (é verdade pelo menos para a maior parte das curvas). Continuando a analogia com as mulheres, estas curvas definem e circunscrevem refregos, sendo que esses refregos são um motivo principal de interesse em Telhadela. E é de um desses refregos em especial, refrego esse localizado bem na zona central (de Telhadela, não das mulheres!), que irá ser tratado de uma forma mais profunda nesta crónica. Este é, sem dúvida, um dos refregos mais relevantes em Telhadela.

Neste refrego central está implantado um belo tasco. A propósito, já repararam que "tasco" é a palavra “asco” acrescentada de um “t”? (será que a letra "t" representa algum acréscimo de significado à palavra "asco"? Fica a questão, mas a minha resposta é óbvia). Este tasco é bastante concorrido, tão concorrido que o parque de estacionamento está sempre completamente cheio, tendo, portanto, o sinal de "Lotação Esgotada" aceso em permanência, levando-me por vezes a questionar se não estará avariado. A impossibilidade de estacionar no parque faz com que a maior parte das vezes os visitantes deste tasco tenham de estacionar na estrada. Mesmo assim, ainda bem que têm o altruísmo suficiente para não estacionar mesmo em cima da curva, nem a tapar completamente o caminho adjacente. Ainda bem que os fregueses do tasco têm o civismo suficiente para um acto tão nobre em prol da comunidade. Outro acto de civismo muito característico dos frequentadores deste tasco é a sua rapidez e simpatia quando instados a retirar os seus veículos se estes estorvam. O que, tal como disse antes, nunca acontece. E ainda bem, porque senão seria uma valente chatice… estar à espera e depois ser olhado com o ar de desdém como que a enxovalhar: “Que raio estás tu aqui a fazer?! Vai mas é para casa que eu não tenho tempo para te aturar”.

Em jeito de nota de rodapé, esta crónica é, indubitavelmente, uma forma de serviço público para Telhadela (e não só), mas apenas para aqueles que forem capazes de a entender. Falta saber se algum dos fregueses deste tasco estará incluído neste grupo.

 

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